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Relatos de Cuba – Havana – Parte 01

Categorias: Cultura & entretenimento, Mundo Sem Comentários

O jornalista Rodrigo Vieira e um grupo de amigos foram passar o Natal e o Ano Novo em Cuba. Como a alma jornalística não tem folga, Rodrigo relata um pouco da sua experiência na ilha de Fidel Castro.

HAVANA – 24/12/2009

 

Depois de fazer uma conexão em Lima e voar por quase dez horas, finalmente chegamos a Havana. A primeira impressão foi positiva. O aeroporto é relativamente moderno (foi reformado em 1998). Tivemos dificuldades para encontrar as malas. Na esteira de bagagem, a sensação é de que estamos em uma feira livre. Comida, aparelhos eletrônicos, produtos de higiene pessoal, acessórios de cozinha… Enfim, cubanos que vivem em outros países enviam praticamente tudo para os parentes que ficaram na ilha. Ao final, deu tudo certo. Quase uma hora depois, já estávamos na van que serviria de transfer para o hotel ‘Habana Libre’. Por falar em automóvel, uma constatação: só há carros americanos anteriores a 1959, quando Fidel Castro tomou o poder. Todos os carros mais novos que encontramos nas ruas são modelos europeus, japoneses ou coreanos.

As ruas e avenidas de Havana pelas quais passamos são largas e inacreditavelmente bem cuidadas. Não encontrei um só buraco até chegarmos ao hotel. Ficamos no ‘Habana Libre’, um cinco estrelas (aqui o conceito de cinco estrelas é, digamos, um pouco flexível do que nos outros países), da cadeia Meliá e relativamente bem cuidado. Amplo, com pé direito alto, tem arquitetura dos anos 50. Assim como todos os hotéis, é um empreendimento misto, sendo 49% da iniciativa privada e 51% do Estado. Ao entrar no quarto, encontramos um espaço amplo, confortável, com ar-condicionado no ponto e uma maravilhosa vista para a baía de Havana.

Aliás, a parede da frente do nosso quarto é toda de vidro, dando acesso a uma generosa sacada. Para fechar as boas-vindas, o mensageiro, um senhor culto de nome Vives, relatou que conheceu pessoalmente Carlos Prestes, leu muito sobre Lamarca e Carlos Marighela e foi amigo da viúva deste último, Clara Charf, que viveu em Cuba.

Após pagarmos 25 CUC’s (pesos cubanos conversíveis), algo como R$ 40,00, conseguimos instalar o cabo com conexão à Internet por 24 horas em nosso quarto. É bom lembrar que aqui não há banda larga e, para os cubanos, o acesso à rede é permitido apenas em universidades e alguns lugares públicos, mas com uma série de restrições. Portanto, somos privilegiados por poder relatar um pouco de nossas percepções em relação à ilha de Fidel.

Vale lembrar que não há analfabetos aqui e praticamente todos os cubanos das duas últimas gerações concluíram a Universidade. Para a nossa surpresa, o hotel preparou uma apresentação especial de Natal. Ao lado de uma grande árvore decorada e da escada de acesso ao lobby havia um afinado coral. Aliás, Cuba voltou a considerar 25 de dezembro feriado nacional após a visita do Papa João Paulo II, em 1998.

Embora tenhamos feito a reserva para a ceia natalina no recomendado ‘La Guarida’, via Internet e há uma semana, ao ligar para o restaurante fomos informados que o mesmo estava “cerrado para reformas” (também é comum alguns restaurantes daqui estarem fechados por falta de ingredientes). Pedimos, então, uma sugestão de lugar à telefonista do hotel, que nos recomendou o restaurante “Áries”, próximo e dentro de uma tradicional casa cubana.

Jantamos porco com batatas fritas e refrigerante de cola nacional (só há coca-cola em restaurantes destinados exclusivamente a turistas e indicados pelo governo) entre cristaleira, mesas e cadeiras muito antigas. Tudo com, pelo menos, cinquenta anos de uso. Para fechar a noite, fomos beber mojito e fumar um legítimo Cohiba no jardim do Hotel Nacional, uma charmosa edificação da década de 30.

Próximo post
Um City-tour por Havana.
A arquitetura “americana”.
A solução cubana para evitar a superlotação de Havana.

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