HAVANA – 25/12/2009
Depois de um generoso (porém não tão saboroso) café da manhã no restaurante do hotel, saímos para fazer o city-tour por Havana. Simpática, a guia falava um português de Portugal e se esforçava para responder com sinceridade a todos os questionamentos, inclusive os mais embaraçosos.
Começamos o passeio visitando a ‘Plaza de la Revolución’, que abriga o memorial a José Martí , uma torre de 109 metros em homenagem ao criador do Partido Revolucionário Cubano, e os ministérios do Interior e das Forças Armadas da Revolução. Por sinal, uma informação curiosa: o imponente prédio do Ministério das Forças Armadas foi originalmente construído pelos americanos para ser a sede do Citybank em Havana. Porém, a inauguração da obra estava prevista para janeiro de 1959. Eles só não contavam com tomada do país pelas tropas de Fidel Castro…
Para evitar a superlotação em Havana (a capital tem 2,4 milhões de habitantes), o governo proibiu a venda e o aluguel de casas. Só podem vir do interior para a capital quem, de fato, tem onde morar. O resultado da política de combate ao fluxo migratório é que existem milhares de casais vivendo com suas respectivas sogras ou, até mesmo, várias famílias morando em uma mesma casa ou apartamento. Talvez isso explique o altíssimo índice de divórcio em Cuba, atualmente na ordem de 70%, um dos mais altos do mundo.
Outro dado curioso: o salário médio em Cuba é baixíssimo. Um médico de alto nível, por exemplo, recebe mensalmente cerca de 60 CUC’s (como são chamados os pesos cubanos conversíveis, moeda criada exclusivamente para o turismo e que vale 25 vezes mais do que o peso cubano oficial), o que representa cerca de R$ 140,00. Como os salários de quem trabalha para o governo são muito parecidos, independente do ofício e da especialização, a nova geração de cubanos não tem mostrado muito interesse em ingressar na Universidade. E olha que elas são de alto nível e gratuitas.
Por conta da forte presença dos Estados Unidos antes da revolução (a ilha era praticamente uma extensão do território estadounidense até então), muitas construções de Havana são réplicas de prédios norte-americanos. Um exemplo é o lindíssimo Capitólio, sede do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Cuba (foto). A obra consumiu mais de 50 tipos diferentes de mármore cubano e está impecavelmente conservada, algo raro por aqui.
Em seguida, uma pausa no city-tour para provarmos o geladíssimo daiquiri no tradicional bar ‘La Floridita’. Para encerrar o passeio, uma caminhada a pé por Habana Vieja – catedral, praças e ruas com construções históricas e o famoso ‘La Bodeguita del Medio’ (muitos dizem que o mojito foi inventado lá), bar de 1942 é frequentado por políticos, artistas e intelectuais.
Depois de almoçar e descansar no hotel, saímos para conhecer a fortaleza de San Carlos de La Cabaña (foto). Lá, todas as noites, pontualmente às 21h, é realizado um espetáculo teatral chamado Canhonaço. A história remonta ao século XVII quando, ainda sob dominação espanhola, Havana era toda circundada por muralhas e, à noite, tiros de canhões avisavam que as portas seriam fechadas.
Terminada a encenação, caminhamos pela fortaleza, conferimos um pouco do artesanato cubano e visitamos um pequeno museu em homenagem a Che Guevara, que despachava de lá após 1960. Tudo isso dentro da tal fortaleza.
No retorno, pausa estratégica no chique-meio-decadente Hotel Nacional (foto) para tomar uma coca-cola (sim, encontramos coca-cola!) e apreciar mais um charuto cubano. Se continuar desse jeito vou me tornar um fumante ativo, Deus me livre!!!
Próximo post:
- O ’Museu da Revolução’.
- Os ‘paladares’, pequenos restaurantes instalados nas salas de residências cubanas.
- Os já tradicionais ‘coco táxi’, alternativas turísticas e criativas de tranporte público.









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