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Relatos de Cuba – Havana – Parte 03.

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HAVANA – 26/12/2009 

Decidimos tomar café em uma rede de padarias local chamada ‘Pan de Paris’. As coisas não são exatamente gostosas nem há tanta variedade (sempre temos a sensação de desabastecimento de produtos em Havana), mas deu para começarmos o dia bem alimentados. Da padaria, fomos à fabrica de charutos ‘Partaga’, porém estava fechada. Seguimos, então, para o Museu da Revolução, instalado no antigo palácio presidencial. Objetos, documentos, recortes de jornais e fotos relatam a tomada do poder por Castro, em janeiro de 1959, e a trajetória do movimento até os anos 90. Obviamente, tudo bem parcial, sob a óptica do governo. 

O 'Plano de 20 pontos', divulgado por Fidel Castro em 1959.

Pintura retratando a tomada de Havana, em 1959, pelos revolucionários.

Na saída, encontramos um grande painel chamado ‘El ricón de los cretinos’, com caricaturas de Ronald Reagan, George Bush e Fugencio Batista (presidente ou ditador, como queiram, antes de Fidel Castro). Abaixo de cada uma delas, a seguinte descrição: “obrigado cretino pelo triunfo da revolução”. 

Fugência Batista, o último presidente (ou, como afirmam os revolucionários, ditador) cubano.

Seguimos caminhando por ‘Habana Vieja’, região da cidade que reúne os prédios mais antigos, com arquitetura colonial. Optamos por almoçar em um ‘paladar’, como eles chamam os restaurantes administrados por famílias em casas cubanas. Todos são previamente selecionados pelo governo e oferecem comida tipicamente local. Feijão, arroz e banana nunca faltam. 

Um parênteses: em Cuba, o esporte nacional é o baseball. Logo, o Brasil é mais conhecido pelas novelas do que pelo futebol. Agora está passando ‘Páginas da Vida’, novela global escrita por Manoel Carlos que tem Regina Duarte como a Helena da vez. Por falar em novelas, o nome ‘paladar’ foi inspirado em ‘Vale Tudo’,  exibida na ilha há alguns anos. A história da mulher pobre, também coincidentemente interpretada por Regina Duarte, que vendia comida na praia e terminou por construir uma grande cooperativa gastronômica pareceu familiar a muitos cubanos. 

Nos ‘paladares’ não há refrigerantes estrangeiros, como nos hotéis. Há apenas os nacionais, como a ‘tukola’, a coca-cola cubana. Almoçados, fomos comprar artesanato cubano pelas ruas de ‘Habana Vieja’ 

'Tukola', a "coca-cola cubana".

 Em seguida, conhecemos a ‘Camara Oscura’, uma espécie de torre que, por meio de uma sequência de espelhos instalados no alto, na parte de fora, permite uma visão 360º de Havana. 

 Como já anoitecia, resolvemos nos separar por 30 minutos para que cada um pudesse comprar o presente do amigo secreto. Dei um livro de culinária criola, tipicamente cubana, que comprei na feira de livros usados de ‘Plaza de Armas’.  

feira de livros antigos e usados na 'Plaza de Armas'.

Para voltar ao hotel, pegamos um ‘coco taxi’, uma moto adaptada com uma cobertura em formato de coco para receber dois ou três passageiros, além do motorista. 

Depois de conhecer boa parte de Havana, chegamos a duas conclusões: 

 1) Papel é um problema sério por aqui. Praticamente não ha ‘servilhetas’ (guardanapo em espanhol). O papel higiênico também é racionado. Nos lugares turísticos, quando há, acaba por ser entregue cortado em pedaços por uma pessoa que fica na porta do banheiro. 

2) Se você tiver cara de turista, certamente será abordado para comprar algo para o cidadão cubano. Desde a chegada, já nos foi pedido sabão, caramelo, fraldas descartáveis… Branco e usando um chapéu panamá, vocês podem imaginar quem do grupo era sempre abordado…

Próximo post:

- Cayo Largo – Ao sul da grande ilha e banhado pelo mar do Caribe, reúne as mais belas praias de Cuba.

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