As obras do artista são antigas conhecidas dos paulistanos, como o móbile de peixes voadores multicoloridos, instalado em um vão de mais de 20m no Sesc Vila Mariana, ou a releitura da marca do Bradesco, na esquina da Av. Juscelino Kubitscheck com Av. Brig. Faria Lima.
Ao apresentar as 22 obras mais significativas do escultor e sua relação com os ambientes que ocupam, em ensaio fotográfico produzido por André Nazareth, o livro Chico Niedzielski oferece uma visão geral sobre o conjunto extenso e significativo de sua produção. Com apresentação da filósofa Marilena Chaui e texto crítico de Enock Sacramento, o livro faz justiça a Niedzielski, que mostra uma produção madura e de alta complexidade construtiva, mas com pouca circulação nos circuitos artísticos contemporâneos, apesar de quase sempre voltada para ambientes públicos.
Chico tem como inspiração central em seu trabalho a geometria sagrada, ou a busca de traços perfeitamente harmônicos. Suas formas precisas e rigorosas, complexas e simples ao mesmo tempo, simbólicas e sutis em tantos aspectos, são, segundo o próprio, interpretações de fluxos da natureza. “Não viso só a forma, mas como essa forma vai ‘vibrar’. O resultado estético é importante, mas, antes disso, vem o poder da forma no ambiente.”
Produzidas em aço anti-corrosivo, aço carbono, cobre, alumínio ou resina de poliéster, algumas vezes passiveis de interatividade com o público, outras em movimento por força de motor, as obras de Chico têm em comum as grandes dimensões, transformando definitivamente os ambientes em que são instaladas. “O que vai haver em cada lugar é uma questão bastante intuitiva; logicamente, preciso levar em conta a adequação de dimensões e materiais da obra ao espaço disponível, mas o fundamental é que a forma vá ao encontro de um resultado pretendido.”
A filósofa Marilena Chauí define seu olhar sobre as esculturas de Niedzielski: “A pintura, dizia Michelangelo, cobre e recobre, mas a escultura descobre. Com ela, o artista penetra nos segredos da natureza para revelá-los e, por isso, a escultura é a arte maior, porque é verdadeira criação, pois Deus, geômetra infinito, criou o mundo dando forma à matéria, e o escultor percorre o labirinto da matéria para abrir o esconderijo das formas e oferecê-las ao nosso olhar. É a experiência desse labirinto e desse esconderijo que a obra de Chico Niedzielski reabre para a arte contemporânea ao desvendar as formas para expô-las ao mundo, a fim de que ele e elas dialoguem, vibrem em uníssono, exprimindo a comunhão originária. Chico confere sentido a cada uma de suas obras segundo o significado do lugar que irão ocupar na vastidão do espaço infinito…”
Em campo
Para o saguão do Hospital Israelita Albert Einstein, Niedzielski desenvolveu um helicóide cônico que gera um vórtice e dele pendem peixes revestidos de folhas de ouro. O vórtice, fenômeno gerado por movimentos helicoidais ao redor de um centro de rotação, é uma das formas recorrentemente expressas por Chico.
Na sede do Sesc Vila Mariana, espaço de cultura e lazer em São Paulo, um dos vórtices de Chico ocupa um vão de 40 metros de altura. Com aspecto lúdico, é um helicóide que descreve um outro ainda maior, partindo de uma estrutura com o formato de uma mandala de sete círculos. O conjunto (240 peixes coloridos) gira ininterruptamente, pela ação de um motor, a um quarto de volta por minuto. As peças são suspensas e interligadas por cabos de aço inoxidável de apenas meio milímetro de diâmetro, fabricados para aguentar até 20 quilogramas cada um. Um balé preciosista que encanta os olhos.
O livro Chico Niedzielski foi produzido pela Editora Olhares com o patrocínio da SLW Corretora de Valores, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Mendonça).
“A obra de Chico Niedzielski representa uma contribuição importante para a integração da arte a espaços arquitetônicos, tornando-os mais humanos, e a ambientes naturais, incitando a percepção das diferenças e a reflexão. Em ambos os casos, evidencia a grandeza da arte que consiste, na visão proustiana em captar, fixar, revelar-nos a realidade longe da qual vivemos, da qual nos afastamos cada vez mais à medida que aumentam a espessura e a impermeabilidade das noções convencionais que se lhe substituem…” Enock Sacramento, crítico de arte
Sobre Chico Niedzielski
Artista plástico reconhecido por seu trabalho como escultor de grandes formas para interiores e exteriores, nasceu em 1953, na cidade de Catanduva, São Paulo. Cursou Filosofia na Universidade São Paulo, sendo um autodidata no campo das artes. Sua inspiração é baseada na geometria sagrada e suas obras pertencem aos acervos do Museu de Arte de São Paulo, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e da Prefeitura de São Paulo, marcando ainda espaços públicos paulistanos como Hospital Albert Einstein, as Unidades do Sesc e Senac.
TITULO: CHICO NIEDZIELSKI
Editora Olhares
ISBN: 9788562114106
PAGINAS: 152
PREÇO: R$ 75,00
Fotos de André Nazareth
Apresentação: Marilena Chaui
Texto crítico: Enock Sacramento
Centro da Cultura Judaica
Rua Oscar Freire, 2500 (ao lado da estação Sumaré do Metrô)
Fone (11) 3065 4333
Horário: 19h
Data: quinta-feira12 de maio
Fonte: Olga Defavari/ Editora Olhares

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