Por Alice Becker
Há 20 anos, cheguei com o Pilates no Brasil, na cidade do meu coração, a bela e complexa Salvador (BA). Em 2012, o método atingirá sua maioridade no Brasil e, assim, esse jovem adulto se expande pelo País, chegando à boa parte da população através de milhares de estúdios, centenas de clínicas e dezenas de hospitais e academias.
O Pilates, que durante muitos anos foi praticado quase que exclusivamente por mulheres, em sua maioria maduras, hoje atrai jovens, homens, atletas, crianças e idosos. É recomendado por médicos e utilizado para diversos objetivos, sendo reconhecido tanto no meio clínico como no de fitness, além dos ambientes de performance atlética e artística.
Atualmente, são dezenas de novos centros nas cidades. Nas capitais, hoje, existe pelo menos, um espaço por bairro onde o Pilates é oferecido. Um método versátil que, associado a outras abordagens, amplia os recursos de prevenção da saúde e tratamento das doenças da modernidade.
O Pilates também inicia sua jornada no serviço público com excelentes conquistas nas escolas dos Estados Unidos e nos hospitais públicos do Brasil e de outros países do mundo. Estudos científicos se voltam para seus resultados surpreendentes com populações portadoras de disfunções nas áreas de ortopedia, neurologia e dor crônica, além de seus benefícios para a diminuição de lesões em bailarinos e atletas.
Este crescimento intenso não é exclusividade brasileira. O mesmo vem acontecendo em todos os continentes. O gráfico é ascendente e a progressão, geométrica. Por conta de toda essa expansão e demanda, é preciso começar a parametrizar uma profissão que, apesar de já existir de fato, ainda é entendida por grande parte da nossa sociedade como apenas uma especialidade de outras atividades profissionais.
Neste sentido, surgiu nos Estados Unidos, há oito anos, a Pilates Method Alliance (PMA), uma associação aberta aos amantes de Pilates e que conta com membros daquele e de outros países em todos os continentes. Juntos, trocam conhecimentos das mais diversas áreas e escolas de formação em Pilates.
A PMA reúne, hoje, alunos, profissionais inexperientes e os mais antigos e mais respeitados profissionais de Pilates do mundo. Tanto instrutores e professores que ensinam Pilates há poucos meses, bem como os que atuam nesta área a mais de 50, 60 ou até 70 anos, debatem e partilham ideias. Esses últimos fazem parte de grupo chamado Elders, aqueles que estudaram diretamente com o mestre e criador do método, o alemão Joseph Hubertus Pilates.
Ao longo destes oito anos de muita reflexão e discussão, foram sendo elaborados pelos comitês da PMA instrumentos de referência tanto para os praticantes como para os profissionais que atuam com o método Pilates. Dentre eles, encontramos o Guia da PMA, no qual estão listados mais de 300 exercícios de Pilates catalogados pelos Elders, parâmetros éticos de atuação profissional e uma nomenclatura para os exercícios que foram unificados mundialmente.
Foi também criado e lançado um exame de certificação, reunindo 150 questões que incluem teoria e prática e, dessa forma, estabelecem um padrão mínimo de conhecimento que deve existir para que um profissional se intitule instrutor ou professor de Pilates. Esse exame estimula a parametrização dos conteúdos das diversas escolas que oferecem formação em Pilates e, assim, contribui para a elevação da qualidade do ensino do método.
A PMA também vem trabalhando junto ao governo norte-americano, no sentido de oficializar a profissão de Pilates. Outra conquista recente da PMA foi o seu reconhecimento pela American Council on Exercise (ACE), uma imensa agência nacional certificadora de personal trainers. Hoje, os cursos e workshops ministrados por instrutores aprovados no exame de certificação da PMA valem créditos perante a ACE. E esses créditos são obrigatórios para manutenção do status de personal trainer perante a instituição e, consequentemente, muito importantes na atuação profissional desta categoria nos Estados Unidos.
Deixe um comentário