O Centro da Cultura Judaica apresenta, pelo nono ano consecutivo, o Ciclo Multicultural. Entre os dias 3 e 8 de dezembro, quem for ao Centro encontrará um verdadeiro cardápio de atrações gratuitas com diversas atividades para todos os gostos e faixas etárias.
Tradicional no calendário anual da cidade, o Ciclo Multicultural já se consagrou como um projeto multifacetado, que celebra em grande estilo o encerramento de suas atividades anuais, com grande participação do público paulistano. Este ano, com o tema ‘Bamidbar’, – No Deserto -, o Centro da Cultura Judaica apresenta uma grade com seis dias de programação cultural intensa que remete ao deserto como raiz formadora de diversas culturas, como por exemplo, a judaica.
O destaque fica por conta de três atrações musicais internacionais e inéditas. A programação, que tem direção musical do instrumentista e pianista Benjamim Taubkin, traz , no dia 3 de dezembro, durante a abertura, especial para convidados, a cantora argelina Houria Aïchi acompanhada da banda Les Cavaliers de L’Aurès. Houria cresceu nas montanhas de Àures, parte oriental da Argélia, em meio à tradição da poesia e das músicas seculares cantadas pelas mulheres da região. Por isso, o trabalho da artista recolhe textos e músicas de reminiscência da tradição oral e, em parceria com a banda Les Cavaliers de L’Aurès, resgata um repertório sacro, mesclando sua música com estilos mediterrâneos, rock e jazz contemporâneo.
No dia 4 de dezembro, aberto ao publico, o Centro da Cultura Judaica traz o contador de histórias Mamatal Ag Dahmane, do deserto do Mali. Conhecido por seus contos, o artista roubou a cena no documentário Behind the blue veil, do diretor Robyn Simon, que retrata a cultura de seu povo, os tuareg. Mamatal traz histórias da região, acompanhado do músico Rissa ag Wanaghli, compositor e vocalista do grupo Atri N’Assouf, com sua musicalidade tradicional do oeste do Saara. A apresentação contará ainda com a exibição de trechos do documentário, que retrata a cultura dos Tuareg, um dos povos mais antigos do mundo e, hoje, à beira da extinção.
Para encerrar a programação do 9º Ciclo Multicultural, no dia 8 de dezembro, o israelense Yair Dalal mostra o entrelace das tradições musicais judaicas e árabes, trazidas de suas raízes iraquianas. Yair consegue construir pontes sonoras com referências regionais diversas, que vão da região dos Balcãs a Índia. A sua obra musical denota grande intimidade com as culturas do deserto e o desejo de preservar heranças culturais em extinção – como a música dos beduínos, nômades do deserto de Sinai.
A nona edição do Ciclo
A palavra Bamidbar, que em hebraico, significa “no deserto”, abre o livro de Números (o quarto do Pentateuco, conjunto dos cinco livros da Bíblia que dão origem a torá–).A obra relata os 40 anos que os judeus passaram no deserto, período no qual se formou a ideia de um povo unido.
Segundo a superintendente executiva do Centro da Cultura Judaica, e idealizadora do Ciclo desde sua primeira edição, Yael Steiner, o Ciclo vem para consolidar as atividades desenvolvidas durante todo o ano. “O Ciclo Multicultural representa a diversidade e a alta qualidade da programação do Centro, que, ao longo dos anos, vem proporcionando ao publico a possibilidade de descobrir a cultura judaica sob um novo olhar, mais contemporâneo”, explica.
O 9º Ciclo Multicultural vem mostrar que o deserto é palco de uma rica cultura e como isso ganha eco no Brasil. O projeto consolida também as diversas parcerias que o Centro da Cultura Judaica realiza com outras entidades culturais. Desta vez, está em ressonância com o Mercado Cultural da Bahia.
Além da agenda com músicos que representam toda a cultura do deserto, o Centro traz uma série de atividades que vão de encontros a gastronomia e oficinas. Confira os detalhes da programação.
Gastronomia
No dia 06 de dezembro, às 20h, será realizada a oficina de gastronomia Manjares do Deserto com chef Breno Lerner. Querido pelo público, Breno traz uma edição especial para o 9º Ciclo Multicultural com pratos típicos dos beduínos. Originalmente, os beduínos eram pequenas tribos de criadores de camelos, que recebiam o nome proveniente da palavra árabe badaw, que significa deserto semiárido. O termo beduíno acabou virando um genérico para as tribos que viviam no deserto.
Na culinária, a cabra e o carneiro eram sua essência, já que animais pequenos possuem boa mobilidade e são pouco exigentes quanto à comida, o ideal para um povo em constante movimento, que eram abastecidos de carne, leite, couro, ossos e chifres para utensílios e instrumentos. Breno Lerner toma essas referências e histórias e ensina a preparar deliciosas receitas como o Mansaf, típico prato da culinária beduína que combina três ingredientes básicos, carne de carneiro, manteiga clarificada e leite de cabra. Ainda no menu, os temperos Baharat, Lobio Tkemali, Msakaet Al Bathinian. Para a sobremesa, Belila, um doce a base de mel, flor de laranjeira e amêndoas.
Para os pequenos
O apresentador Daniel Warren, do programa Art Attack®, do Disney Channel, acompanhado da equipe da Click Oficina, Tom Groba Meanda e Ivan Banho, também toma como referência o deserto e convida o público infantil a participar no dia 3 de dezembro, às 16h, de uma divertida oficina sobre como montar um deserto próprio dentro do quarto. Nessa ocasião, as crianças aprenderão um pouco mais sobre os desertos do mundo e terão a oportunidade de inventar, com areia de verdade, um pequeno oásis criativo.
Por outro lado, a atriz Ana Luísa Lacombe, que durante todo o ano apresentou regularmente os já tradicionais SIPURIM do Centro da Cultura Judaica, abordará historias do deserto em sua contação do dia 4 de dezembro, às 11h. Estes lugares, muitas vezes, nos remetem imaginar um lugar sem vida, distante e desabitado, mas poucos idealizam as surpresas que o deserto nos reserva, seu lado misterioso e surpreendente, com paisagens de areia, geladas, pedregosas e que escondem formas emblemáticas de vida.
Fotografia
Uma cidade como São Paulo pode ser pensada como um deserto? A oficina No Deserto na Cidade pretende explorar essa questão por meio da técnica da fotografia pinhole e de reflexões teóricas sobre a história das imagens e da fotografia, complementadas por uma visão imagética da cidade gigante e intimista. A aula, que se desdobrará durante todo o dia 4 de dezembro, será ministrada pelo Grupo Cidade Invertida.
Encontros sobre o deserto
Para reforçar o seu papel questionador da cultura, o Centro da Cultura Judaica promove encontros que buscam ampliar o conhecimento sobre o deserto e todos os aspectos impactantes na historia dos povos, suas crenças e tradições. No dia 6 de dezembro, o estudioso Saul Kirschbaum faz uma relação do tema com a literatura contemporânea israelense. O deserto povoa o imaginário judaico desde os tempos bíblicos, como metáfora, paisagem ou personagem. Se o deserto já foi um local de superação do próprio passado, em tempos modernos favorecerá o projeto sionista, com o trabalho de “converter o deserto em jardim”. Nesta excursão pela literatura atual, o professor nos convida a conhecer obras de alguns dos mais importantes escritores contemporâneos em língua hebraica, como Agnon, Izehar, Yoram Kaniuk, Amós Oz, A. B. Yehoshua e Orly Castel-Bloom.
Na quarta-feira, dia 7 de dezembro, uma programação repleta de palestras, apresentará o deserto como cenário inscrito na história, na tradição e no imaginário judaico. Em seguida, o Centro promoverá um encontro para debater as intersecções entre as políticas de florestamento e a aparelhagem do deserto em Israel, confrontando temas como desmatamento, sustentabilidade, preservação e “manejo” nas florestas brasileiras.
Já no dia 8 de dezembro, às 20h30, o Centro realiza um encontro entre representantes de três diferentes religiões monoteístas, que vão debater a respeito da presença do deserto em suas tradições espirituais. Os convidados são o padre José Boareto, o rabino Raul Meyer e o xeque Houssan El-Boustani.
PROGRAMAÇÃO GERAL
DIA 03/12
- Oficina – Um Deserto Portátil
Com Daniel Warren e Equipe Click Oficina
Horário: 16h00
Idade: a partir de 7 anos
Capacidade: 30 crianças
Local: Auditório
Duração: 60 minutos
FECHADO PARA CONVIDADOS.
- Concerto – Houria Aïchi e Les Cavaliers de L’Aurès (Argélia)
Com Houria Aïchi (vocal, adaptação), Etienne Gruel e (percussão), Grégory Dargent (componete, arr, oud, banjo) Nicolas Beck (tarhu, hajouj), Antony Gatta (percussões) Jean-Louis Marchand (baixo, clarinete)
Horário: 21h00
Idade: 12 anos
Local: Teatro
Capacidade: 296
DIA 04/12
- Oficina de Fotografia – No Deserto da Cidade
Com o Grupo Cidade Invertida
Horário: 9h30
Idade: a partir de 16 anos
Capacidade: 20 pessoas
Local: 3o andar
Duração: 6 horas
Obs: Cada inscrito deverá trazer sua própria câmera digital.
- Sipurim – Histórias de Desertos
Horário: 11h00
Idade: 04 anos
Local: Auditório
Capacidade: 60 crianças
Duração: 90 min.
- Concerto – Mamatal Ag Dahmane (Mali)
Com Rissa Ag Wanaghli (música) e Mamatal Ag Dahmane (contação)
Horário: 19h00
Idade: 12 anos
Local: Teatro
Capacidade: 296
Duração: 1h30
DIA 06/12
- Encontro – No Deserto: Uma Excursão pela Literatura Hebraica Contemporânea
Com Saul Kirschbaum
Horário: 20h00
Idade: a partir de 14 anos
Local: Sala 3
Capacidade: 40 pessoas
- Oficina de Culinária – Manjares do Deserto
Horário: 20h
Idade: a partir de 18 anos
Capacidade: 40 pessoas
Local: Auditório
Duração: 90 min.
DIA 08/12
- Encontro – Meditando no Deserto
Com Padre José Boareto, Raul Meyer e Sheik Houssan El-Boustani
Horário: 20h30
Idade: a partir de 18 anos
Capacidade: 60 pessoas
Local: Auditório
Duração: 1h30
- Concerto – Yair Dalal (Israel)
Horário: 21h00
Idade: 12 anos
Local: Teatro
Capacidade: 296
Duração: 1h
SERVIÇO: 9º CICLO MULTICULTURAL – MAMIDBAR, NO DESERTO
Data: de 3 a 8 de dezembro
Ingresso: gratuito* (Os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do Centro e estão sujeitos à lotação do espaço)
Observações: os detalhes de cada um dos eventos, como vagas e duração, podem ser conferidos no site, bem como a classificação e horário de cada uma das apresentações.
Classificação: Livre
Site: www.culturajudaica.org.br
E-mail: culturajudaica@culturajudaica.org.br
Endereço: Rua Oscar Freire, 2.500 (estação Sumaré do Metrô)
Tel.: (11) 3065-4333
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