Um novo olhar sobre a arquitetura da capital paulista é a proposta apresentada pelo Centro da Cultura Judaica na exposição ‘O Espaço e o Estrangeiro na Cidade de São Paulo – Exílio e Modernidade’. Com curadoria da professora e pesquisadora Anat Falbel, a mostra apresenta uma São Paulo que muitos conhecem, mas com uma ótica diferente, uma luz específica sobre o legado deixado por profissionais imigrantes para o espaço urbano. A exposição busca identificar a contribuição dos arquitetos que vieram para o Brasil desde a década de 30 e como esses tiveram um papel primordial no processo de modernização da paisagem cultural da capital.
Segundo Yael Steiner, diretora geral executiva do Centro da Cultura Judaica, a prorrogação da data da exposição tem um bom motivo. “No mês em que comemoramos os 458 anos de São Paulo, nada mais natural do que mantermos esta homenagem. Programamos também uma atividade especial ligada à exposição e à comemoração: um roteiro arquitetônico pelos os principais projetos do centro antigo da capital”, revela Yael.
A mostra, que ficará aberta ao público até 12 de fevereiro, apresenta inúmeros materiais entre projetos, fotografias, mapas, documentos, relatos em vídeo e artigos históricos, além de gravuras e mobiliário. Para a curadora Anat Falbel, os profissionais estrangeiros podem ser compreendidos como agentes intermediários na circulação, transferência e consolidação de uma cultura arquitetônica moderna associada a outras expressões como a fotografia, o design e as artes plásticas.
Yael Steiner afirma que a exposição pretende trazer para o público paulistano uma parte da história da capital, a partir do papel fundamental que profissionais imigrantes, muitos dos quais judeus, tiveram na formação arquitetônica e urbana da cidade de São Paulo. “A exposição representa muito bem esta característica cosmopolita da cidade de São Paulo e, por meio de uma pesquisa histórica, mostra como a cultura e a identidade da capital, em seus mais variados aspectos, permeiam uma definição plural, com influência dos mais variados países”, explica.
Repleta de histórias particulares, mas sem perseguir trajetórias individuais, “O Espaço e o Estrangeiro na Cidade de São Paulo – Exílio e Modernidade”, problematiza a produção brasileira do profissional imigrante maturado no corpo de uma cultura européia moderna, eminentemente internacional e cosmopolita, e como esta se manifestou na arquitetura e suas expressões afins e complementares. Do mesmo modo, a exposição aponta para o diálogo que envolveu arquitetos estrangeiros e nacionais durante o período de intensa fermentação cultural entre as décadas de 1930 e 1960.
Quem for ao Centro da Cultura Judaica poderá reconhecer personagens incidentes na construção da modernidade paulista, como os arquitetos Jacques Pilon, Lina Bo Bardi, Gregori Warchavchik, Lucjan Korngold, Franz Adolf Heep e Giancarlo Palanti, os designers John Graz, Jorge Zalszupin, Joaquim Tenreiro, bem como os fotógrafos Hans Gunter Flieg e Peter Scheier, que entre muitos outros registraram as transformações urbanas durante o período em foco. A exposição reserva surpresas como cartas e desenhos de Lina Bo Bardi e Bruno Zevi, revistas, cadeiras de Tenreiro, G. Warchavchik, aquarelas de Flavio de Carvalho e Yolanda Mohalyi, projetos de Daniele Calabi, além de fotografias e gravuras de Lasar Segall, entre outros.
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL NO DIA 25 DE JANEIRO
Em consonância com a exposição e com o 458º aniversário da cidade de São Paulo, o Centro da Cultura Judaica traz um presente à população com uma atividade especial e gratuita. Será oferecido um roteiro de visita a pé pelo centro velho da capital, desenvolvido pelos arquitetos e professores Sabrina Fontenelle e Diego Matos. No passeio, os participantes terão a oportunidade de entender os aspectos fundamentais da transformação da paisagem urbana e conhecer os marcos fundamentais da modernidade arquitetônica de São Paulo, como os edifícios Martinelli, Conde Prates, CIB-Esplanada, Conde Matarazzo (Banespinha, atual Prefeitura), o antigo prédio do jornal O Estado de São Paulo (atual Hotel Jaraguá), o conhecido Itália e a Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
Sabrina Fontenelle é doutora e mestra pela FAU-USP, arquiteta e urbanista pela UFC, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FIAM-FAAM e coordenadora do curso “Marcos da Arquitetura Eclética e Moderna de São Paulo”, do SESC Vila Mariana. Diego Matos é doutorando e mestre pela FAU-USP, arquiteto e urbanista pela UFC, professor e pesquisador do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake, além de ter participado da curadoria e edição do site da 29ª Bienal de Arte de São Paulo.
SERVIÇO: ROTEIRO – MARCOS DA ARQUITETURA MODERNA PAULISTANA, COM OS PROFESSORES SABRINA FONTENELLE E DIEGO MATOS
Data: 25 de janeiro de 2012 – 9h
Ingresso: gratuito
Classificação: livre
Duração: 4 horas
Vagas: 30
Endereço: Rua Oscar Freire, 2.500 (estação Sumaré do Metrô)
Tel.: (11) 3065-4333
E-mail: culturajudaica@culturajudaica.org.br / dvaz@culturajudaica.org.br (inscrições)
Site: www.culturajudaica.org.br
Observações: o local de encontro será na recepção do Centro da Cultura Judaica. Os inscritos deverão arcar com os custos de transporte e alimentação.

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